Formação Contínua

"O curso pretende dirigir a atenção do treinador para a otimização da sua performance"

12 de September de 2025

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Licenciada em Psicologia pelo ISPA, na área Clínica, Ana Bispo Ramires obteve ainda o grau de Mestre em Psicologia Desportiva pela Universidade do Minho, encontrando-se no programa de Doutoramento da Universidade das Ilhas Baleares. Com umas vasta experiência em Psicologia Clínica e Desportiva, em particular no Alto Rendimento, é a Coordenadora Científica da "Mentoria em Psicologia da Perfomance Para Treinadores", com inscrições abertas, que apresenta uma abordagem multidiscplinar e especializada para contextos de elite.

Liga Portugal Business School - O curso “Mentoria em Psicologia da Performance para Treinadores” é uma novidade no panorama da formação da Liga Portugal Business School. Qual é o seu propósito?

Ana Bispo Ramires - O propósito deste curso é colocar o treinador no centro do processo desportivo, a par do atleta, incentivando a mudança de paradigma exclusivamente centrada no atleta. Pretende-se, com isto, explorar a dimensão do treinador enquanto “atleta de alta performance”, explorando as múltiplas dimensões onde pode evoluir em termos de performance (nomeadamente, muito em particular nas dimensões psicofisiológicas).

LPBS - O que mais destacaria do curso e essencialmente dos seus principais módulos? 

ABR - O curso pretende dirigir a atenção do treinador para a otimização da sua performance, trazendo um foco muito importante na regulação psicofisiológica como principal ancora disponibilidade cognitiva e emocional para obter desempenhos de elevada performance em contextos de alto-rendimento.

LPBS - De que modo foi planeado para que exista um equilíbrio entre teoria, prática e networking?

ABR - Os módulos ministrados preveem o desenvolvimento de exercícios práticos em contexto de grupo onde a partilha de experiências e competências possa sair favorecida. Pretende-se não só consolidar, mas ampliar o know how existente.

LPBS - Quais são as principais competências, técnicas e psicológicas, que se pretendem desenvolver nos formandos?

ABR - Capacidade de identificar áreas de disfuncionalidade em contexto de performance (O que me impede de ter o meu desempenho máximo?), identificar os recursos para as potencia e desenvolver planos de treino para as mesmas

LPBS - De que forma vê o impacto desta formação no desenvolvimento de treinadores preparados para lidar com os desafios de alta performance?

ABR - A formação é um “roadmap” que pretende ajudar os formandos a integrar o auto-diagnostico como uma prática não só recorrente como necessária para otimização dos recursos pessoais e da equipa pela qual é responsável. Pretende assumir-se como uma ativação de uma nova área de saber que, posteriormente (no quotidiano do formando), deverá ser integrada numa logica de treino sistémico.

LPBS - Como podem os treinadores equilibrar exigência, sustentabilidade e saúde mental ao longo das suas carreiras?

ABR - Não existe um canal/circuito formal onde os treinadores possam aprender a integrar, de forma sustentável, o trabalho das diferentes áreas que suportam não só os indicadores de saúde mental, mas também um exercício de liderança de excelência. Este curso pretende ser um primeiro passo de um desafio de carreira que deve ser encarado como necessário para o alcance dos objetivos desejados.

LPBS - A sua vasta experiência tem passado pela Psicologia do Desporto e da Performance, pelo acompanhamento de atletas olímpicos e ainda pelo ensino universitário. Que aprendizagens desses diferentes contextos trouxe para a coordenação deste curso?

ABR - As competências que suportam a exibição de performances de alto nível em contextos de excelência são perfeitamente transversais – área académica, empresarial, artística e desportiva. O grande desafio será sempre voltarmos a nós próprios e sermos capazes de identificar que recursos possuímos para o sucesso e que recursos precisamos ir buscar, face ao contexto (extraordinariamente dinâmico) em que estamos envolvidos. Este será um dos principais focos do curso.

LPBS: Olhando para o seu percurso, quais foram os momento-chave que contribuíram para a construção da visão do papel do treinador como agente de alto rendimento?

ABR - É inevitável, para quem tem mais de 25 anos de experiência em contextos de alto rendimento, não ter, desde logo, a perceção de que a disponibilização dos melhores meios para os atletas se revela como um “passo curto” quando pretendemos processos de elevada sustentabilidade em termos de performance.

O Treinador não pode ficar fora deste “processo” atendendo a que, dentro de um balneário” deve ser ele a possuir os recursos mais elevados (muito em particular, psicofisiológicos) para que o seu processo de liderança não seja colocado em causa.

Neste âmbito, o número de atletas que procura desenvolver as suas competências psico-emocionais para a performance é já assinalável, mas tal não acontece na população dos treinadores. Este curso pretende, por isto mesmo, assumir-se como um importante momento de consciencialização de que este passo precisa ser iniciado.