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“Já não existe o público que vai apenas ver um jogo de futebol”

07 de May de 2025

“Já não existe o público que vai apenas ver um jogo de futebol”
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Rui Xavier, Diretor de Marketing do Vitória SC, enaltece o papel da tecnologia na melhoria da experiência do adepto

Formado em Gestão de Desporto, Rui Xavier integra o Departamento de Marketing e Comunicação do Vitória SC desde 2022, e atualmente assume a função de Diretor de Marketing.

Rui Xavier será um dos oradores da 2.ª edição do Curso Executivo de Fan Experience no Futebol Profissional, organizado pela Liga Portugal Business School, onde abordará o tema da Match Day Experience. As inscrições para este curso, que começa no dia 21 de maio, estão ainda disponíveis: clique AQUI!

 

LPBS - Que estratégias tem adotado o Vitória SC para melhorar a experiência dos adeptos em dia de jogo?

RX – Temos várias implementadas, e outra ainda em implementação. Tudo começa por tentar promover o jogo muito anos do apito inicial. Organizamos uma Fan Zone, que começa sensivelmente três horas antes do jogo, que é fulcral para começar a atrair as pessoas para junto do recinto desportivo. Temos também ações em que levamos pessoas dessa Fan Zone, para receberem os jogadores, que tiram algumas fotos e dão alguns autógrafos. É um momento de interação entre os jogadores e os sócios ou adeptos.

Já dentro de portas, temos uma presença muito forte nos nossos ecrãs gigantes e nas televisões em bares e galerias. Além das Kiss Cam, da câmara dos apanhados, temos uma ligação direta entra a nossa aplicação e o ecrã gigante. As pessoas podem responder a quizzes, enviar fotos, isto cria uma interação muito forte. Nós conseguimos perceber quem é que está ativo nestas ações e podemos encaminhá-los, com notificações e mensagens, com prémios, por exemplo. Queremos uma interação digital muito forte, essencialmente pré-jogo e durante o intervalo.

 

LPBS - Qual é a importância de gerar um ambiente dedicado ao adepto para que a sua experiência seja otimizada?

Um melhor ambiente dentro do estádio fomenta a presença do adepto. Um jogo tem de ser visto como um evento, um espetáculo, e precisa de ser organizado como tal. Isto significa que é obrigatório um cuidado com o adepto, o cliente, de forma a criar algum tipo de interação, não existindo momentos mortos. Este ambiente é importante para nós, porque é também um momento de fidelização entre sócio e simpatizante do clube. Um simpatizante tem já algum tipo de interesse em conhecer o que é o Vitória SC e qual é a experiência em dia de jogo. Temos essencialmente três horas em que temos de tentar fidelizar o maior número de pessoas. Uma boa experiência dentro do estádio, em que criem algum sentimento, é muito mais provável que essa pessoa passe de simpatizante a sócio e adepto. Esta captação em dia de jogo é muito importante, porque é um primeiro passo para aumentar o nosso número de associados.

 

LPBS - De que forma a tecnologia tem sido um veículo para auxiliar em iniciativas para melhorar a experiência do adepto?

Nós passamos um momento de transformação digital, quer no estádio, quer na aplicação. Aqui, vamos desenvolver uma aplicação “2.0”, que no decorrer do jogo, ou consumindo no bar, vão ganhar pontos que poderão ser trocados por merchandising, experiências com os jogadores… É uma gamificação muito forte. Vamos transformar também a publicidade estática para digital, no estádio. Isso arrecada nova formas de receitas, mas a experiência a nível de jogo vai mudar muito, que permitirá fazer campanhas e proporcionar momentos de Fan Engagement aos nossos adeptos de uma forma que neste momento não é possível.

Cada vez mais temos um público que precisa de ser alimentado e fomentado. Já não existe o público que vai apenas para ver o jogo do futebol e que depois vai embora. Mesmo nos 90 minutos do decorrer do jogo, temos de estimular o interesse das pessoas, estando conectadas com o clube. Aqui, entra muito o nível tecnológico, com luzes e publicidade LED, por exemplo. É uma aposta que temos de fazer e que todos os clubes deveriam implementar. Isto deve passar a ser uma prioridade. É preciso digitalizar os estádios para conseguirmos manter o adepto além do tempo de jogo, mas também no universo do clube.